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#MOMENTOS

Momentos são pequenas fracções de tempo em que algo, único e irrepetível, acontece e que o fotógrafo teve a capacidade de captar! Mostram-nos movimento, emoção e contam-nos uma história.

#MOMENTOS

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04
Dez12

Santa Bebiana

Armando Isaac

A festa de Santa Bebiana é um testemunho etnográfico das festas báquicas pagãs, em honra de Baco, deus do vinho, e dos ritos em que beber vinho era beber a vida e imortalidade do próprio deus. É uma das tradições mais originais de Caria, comemorada anualmente no dia 2 de Dezembro.

No dia da festa preparam-se duas padiolas onde são colocados a Santa Bebiana, a santa das mulheres, transportada por rapazes e o São Martinho, santos dos homens, transportada pelas raparigas. Estes “santos” eram antigamente feitos de palha e vestidos com roupas de pano. Actualmente usam-se manequins. As padiolas são enfeitadas com garrafões, cabaças, garrafas, ou seja, qualquer recipiente em que usualmente se coloca o vinho.

Á noite a procissão sai com mordomos, secretários, juízes e um prior que vai fazendo os sermões durante o percurso da mesma.

É também costume os irmãos da Irmandade, transportarem uma padiola com um barril de vinho, que vai sendo distribuido pelos presentes.

A procissão é iluminada por archotes feitos de palha. 

O prior, ao longo da procissão dizia o seguinte sermão:

 

Credo

Creio no álcool a 36 graus, todo poderoso e criador de formidáveis carraspanas. Creio na aguardente sua filha e minha esposa predilecta a qual foi concebida por obra e graça do alambique, nasceu da puríssima cana e padeceu sob pisão dos moinhos. Foi derramada e sepultada num casco, ao terceiro dia, surgiu da garrafa e subiu graciosa e triunfante à caixa dos pirolitos. Escoou o fundo da caldeira e até no tonel bem rolhada, estando à mão direita das barbas do bagaço, de onde há-de vir a alegrar uma grande pândega sem fim; dar vista aos grandes e pequenos, ricos e pobres, doutores e burgueses, santos e diabos. Portanto, creio na repetição da pinga, na santa vindima anual, na comunicação dos irmãos do esgota, na renovação das pipas vazias, na bebedeira eterna. Amen.

 

Pai Nosso do Vinho

Santa uva que estais na parreira, purificada sejais sem enxofre e sem sulfato. Venha a nós o vosso líquido para ser bebido à nossa vontade tanto na taberna como na nossa casa, mas livrai-nos de quebrar a cabeça. Amen.

 

In: Monografia do Concelho de Belmonte, edição da C.M.B.

 

 

Nota: As fotos são da minha autoria e datam de 2001, originalmente obtidas a cores por processo analógico. Posteriormente digitalizei os negativos que foram passados para p&b.


 

 FOTOS: © Armando Isaac 

 

 

 


 



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