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#MOMENTOS

Momentos são pequenas fracções de tempo em que algo, único e irrepetível, acontece e que o fotógrafo teve a capacidade de captar! Mostram-nos movimento, emoção e contam-nos uma história.

#MOMENTOS

Momentos são pequenas fracções de tempo em que algo, único e irrepetível, acontece e que o fotógrafo teve a capacidade de captar! Mostram-nos movimento, emoção e contam-nos uma história.

06
Jul16

Makavenkos - Palácio Foz

Armando Isaac

Arquitectura residencial, setecentista e oitocentista. Palácio de fundação setecentista, de que subsiste a estrutura de planta recta, com profundas alterações nos séc. 19 e 20, que lhe atribuíram características neoclássicas, com planta em U, abrindo para jardim posterior, mas introduzindo esquemas típicos da construção francesa, como o recurso ao telhado alteado de mansarda, com cobertura em ardósia e telha patinada, integrando trapeiras de madeira. A fachada é clássica, simétrica, dividida por vários panos, por duas ordens de pilastras toscanas, com remate em balaustrada, que corre todo o edifício, ornamentada com pináculos e interrompido, nos panos extremos por remates em frontões triangulares com acrotérios de escultura figurativa; evolui em dois pisos, integrando mezanino, o inferior revestido a silharia fendida, dando um ar rústico, possuindo vários vãos rectilíneos, os do piso superior constituindo janelas de sacada, com guardas balaustradas ou em ferro forjado. As fachadas laterais seguem o mesmo esquema, mas as sacadas ou varandins têm guardas de ferro forado, executadas no séc. 20, durante a intervenção dos anos 40. O interior possui vestíbulo e escadaria de aparato com guarda em bronze, que leva a vários salões com pavimentos em parquet e coberturas pintadas ou em estuque, adornadas por elementos de talha, fogões de sala em mármore e sobreportas com telas pintadas. Possui várias salas intercomunicantes, algumas alteradas para se adaptarem às novas funções. A fachada posterior abre para um jardim formal, protegido pelos braços do U e que liga a construção semelhante, efectuada no séc. 20, com o objectivo de instalar diversos organismos e associações estatais.
Fonte: SIPA

 

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Fotos: © 2016 Armando Isaac  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

31
Mai16

Makavenkos - Abadia

Armando Isaac

1. BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE OS MAKAVENKOS

Em 1884, é fundada a Sociedade dos Makavenkos, tendo em Francisco Grandella a sua figura mais destacada e conhecida. Industrial, comerciante, capitalista empreendedor, amante e praticante das artes, destacando-se a nona – a gastronomia – e as culinárias, foi extremoso e generoso filantropo, seguramente, influenciado pelas teorias de Fourier e Robert Owen.
Intenso republicano, maçom, irmão da respeitável Loja José Estevão. Os estatutos condicionavam a 13, os membros da Sociedade, no entanto não tardou a ser ultrapassado esse número.
Os fundadores da Sociedade dos Makavenko (há quem lhe chame Clube) eram entusiasmados amigos/amantes dos denominados prazeres da vida (época dos Vencidos da Vida), entenda-se boa comida, melhor bebida e companhias femininas de vida airada, não de andarem ao fanico, seguramente, escolhidas e orientadas por competente abelha-mestra.
O propósito deste despeneirado texto é o de aludir às receitas culinárias dos Makavenkos, no entanto, parece-me prato a cheirar a bispo se não aflorar ao de leve algumas considerações de natureza social e política ao tempo da constituição da tão afamada congregação de sibaritas da burguesia lisboeta
Os makavenkos guiavam-se pela tripo desejo – boa comida, boa bebida e boa cama – no intuito de cumprirem a preceito o entendível por boa cama contratavam «makavenkas» de quilate pedindo o auxílio de reputadas abelhas-mestras ou então observando as executantes que se passeavam nas imediações, o Passeio Público.
Nenhum makavenko podia cair em tentação de passar à condição de pinga-amor, no intuito de evitar a queda eram proibidas ligações superiores a duas semanas.
Se a exaltação hedonista merecia o aplauso geral, os makavenkos deviam abster-se de conversas onde entrassem a política e a religião. No entanto, basta verificar a identidade de alguns makavenkos para percebermos quão inútil era a advertência.
Por isso, na «cova dos prazeres» ou seja na cave do Teatro, nos prelúdios do 5 de Outubro de 1910,Francisco Grandella, Machado dos Santos, Miguel Bombarda, José Cordeiro Júnior, José de Castro, José António Simões Raposo, Makavenkos, republicanos, maçons, ali gizaram planos para ser instaurado o regime republicano. Assim aconteceu. E bem.
Francisco Grandella foi iniciado em data desconhecida com o nome simbólico de Pilatos, em 1910, está filiado na Loja José Estevão. José de Castro, iniciado em 1869, desempenhou cargos de relevo na Ordem, entre os quais o de Grão-Mestre Adjunto.
O médico Miguel Bombarda iniciou-se em data não revelada, integrou diversas Lojas. António Machado dos Santos, iniciado em 1909 na Loja Montanha, com o nome simbólico de Championnet, atingiu o grau 7.º do RF. Também pertenceu à Carbonária, fazendo parte da Alta Venda.

2. Local de Reunião

Até Francisco Grandella adquirir o arruinado Teatro Condes e o mandar reconstruir em 1888, os Makavenkos reuniam aqui e ali, casas e restaurantes, tendo começado as suas graciosas e estuantes actividades no palacete do Conde de Antas, ao tempo propriedade de Fernando Augusto R. C. da Silva Pereira, terceiro Conde.
A partir da reedificação do Teatro os Makavenkos possuíam instalações próprias, com várias salas e um salão onde enorme espelho servia como local de afixação de toda a espécie de escritos, nos baixos (cave) Teatro Condes, também foi cinema, muito frequentado a seguir ao 25 de Abril, muito frequentado por exibir filmes eróticos, sito na rua dos Condes. Agora, faz parte da cadeia Hard Rock Café.
Tais instalações também incluíam copa e cozinha onde os dotados para conceberem uma boa comida praticavam à vontade. No que tange a comidas todos exercitavam as queixadas ou mandíbulas de forma a evitarem o dito por Aristófanes – “os dentes dão móveis inúteis senão mastigam» –, bebiam bons vinhos e os intranquilos suscitavam ardores apaziguados pelos chistes e bojardas das convidadas.
Na época os clubes de prazer faziam furor em França, leiam-se Balzac e Zola, muitos cafés-restaurantes possuíam «reservados íntimos», as teorias de Brillat Savarin (1754-1826) expressas na obra A Fisiologia do Gosto influíam no comportamento dos sibaritas, caso de Grandella e a maior parte dos seus irmãos makavenkos.

3. O livro de receitas

O livro de receitas – Memórias e receitas culinárias dos Makavenkos – teve a sua primeira edição no ano de 1919, sendo dedicado ao Presidente Honorário dos Makavenkos, o Almirante Francisco Ferreira do Amaral, que foi “primeiro-ministro” após o regicídio, tendo o seu governo recebido o epíteto de «governo da acalmação».
O receituário não está dividido por capítulos classificativos, no conjunto de 82, noventa e nove receitas abrangendo entradas, sopas, caldos, caldeiradas, massas, ovos, peixes, carnes, bolos e doces de colher.
Algumas receitas provêm do engenho e imaginação dos makavenkos e amigos, cada Makavenko podia convidar amigos a participarem nos festins e comandita, a os preparos culinários da sua lavra na terminologia actual são expressões da cozinha de autor.
As receitas restantes têm origens diversas: cozinheiras de tascas e locandas lisboetas e das imediações, restaurantes, de índole nacional e estrangeira. Repare-se: Canja única, feita por D. Tomaz de Melo, Rim de Caldeirada à Azevedo Neves (foi Presidente da Sociedade) Sopa à Tia Gertrudes da Perna de Pau, Sopa Carvoeira, a curiosa Sopa Judia à Joaquim Levy, Caldeirada à José Mestre, Carapaus ao José Santos, Bacalhau à Gomes de Sá, Bacalhau à Biscaia, Carne com batatas à Almeida das Petas, Morcelas à moda de Arouca, Morcelas à moda de Bragança, Ovos-Moles de Aveiro, Queijadas à moda de Estremoz, Welsh Rabit, Macarrão à Italiana, Arroz à Valenciana, Perdizes à espanhola, Risoto à Milanesa, Puding à Inglesa, Puding à Espanhola.
Da sua leitura ficou-me a convicção de algumas delas terem sido retiradas do sempre actual Tratado Completo de Cozinha e Copa de Carlos Bento da Maia, cuja primeira edição saiu em 1904.
O acervo culinário de Francisco Grandella não se limita à enunciação das receitas, aglutina episódios de vária monta e pinta envolvendo figuras femininas, o modo de funcionamento do Clube dos Makavenkos, sendo patente os seus membros disporem de proventos suficientes para participarem nas suas actividades sem problemas orçamentais.
Esta obra para os não interessados no que à nona arte diz respeito podem-na considerar frívola, ao estilo de Petrónio autor do famoso Satíricon, estão redondamente enganados.
Sejam os ditos e graças decorrentes das refeições, sejam os relatos sobre o quotidiano sem esquecer as pústulas sociais de então, sejam as referências a África em contraste com a Metrópole permitem-nos recolher preciosos elementos relativos a uma época alvo de dupla mudança; de regime, de mentalidades.
A sua leitura também nos fornece o bilhete de identidade dos Makavenkos: burgueses prósperos, funcionários qualificados, nobilitados então em moda: foge cão que te fazem barão…para onde se me fazem visconde?

Armando Fernandes

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Fotos: © 2016 Armando Isaac 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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